
Mulheres são as mais contratadas, mas ainda ganham menos
08/03/2010
Vanessa Silva
No dia 08 de março de 2010 é comemorado o centenário da luta feminina por condições igualitárias entre os gêneros. Uma luta por dignidade, respeito, longe de violências, discriminações e preconceitos.
Em um século de luta a mulher conquistou seu espaço. Hoje são as meninas quem mais tempo permanece nas escolas. São as garotas quem mais freqüentam os bancos das universidades e as mulheres estão cada vez mais bem preparadas para ocupar as vagas do mercado de trabalho.
No entanto, segundo a pesquisadora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFemea) Patrícia Rangel, o nível de desemprego entre as mulheres com nível universitário é 30% maior que entre os homens. São eles também que ocupam os cargos de chefia e ganham mais.
Realidade no jornalismo
Apesar de não ser mais necessário curso superior para exercer a profissão de jornalista, este continua sendo um trabalho altamente especializado, que requer estudo e conhecimentos específicos. Segundo dados do Salariômetro*, a média salarial dos profissionais registrados como jornalistas no Brasil nos últimos seis meses é de R$ 2.033,00.
No entanto, há variação quando fazemos distinção de gênero. O salário médio dos profissionais homens é R$ 2.187,80 e das mulheres, R$ 1.945,02. Ou seja, mesmo capacitadas, as mulheres ainda ganham menos que os colegas homens.
Apenas nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Tocantins e no Distrito Federal, as mulheres têm melhores salários. A maior diferença está no estado do Amazonas, onde a média das contratações femininas é de R$ 2.366,00, enquanto a média masculina é de R$ 1.700,00, uma diferença de R$ 666,00.
No Acre e em Alagoas não houve contratação nos últimos 6 meses. No Amapá foram registradas 3 mulheres com média salarial de R$ 935,00 e nenhum homem. Nos demais 15 estados, as mulheres ganham menos que os homens, sendo que a maior diferença está no estado de Rondônia, onde a média das mulheres é de R$ 1.588,00 e a dos homens, R$ 2.602,00, uma diferença de R$ 1.014,00.
Os estados mais igualitários são Minas Gerais, e Rio Grande do Norte, onde a diferença é de R$ 2,00 e R$ 7,00, respectivamente.
Mas, elas são a maioria
Apesar de receberem, ainda, salários menores, as mulheres são as mais contratadas pelas empresas de comunicação, segundo os dados avaliados. Excetuando dois estados, Paraíba (que contratou uma mulher e 7 homens) e Sergipe (4 mulheres e 8 homens), os demais 24 e o Distrito Federal contrataram mais pessoas do sexo feminino. No total nacional foram registradas 729 mulheres e 407 homens.
Os estados que mais registraram mulheres foram: São Paulo (202 contra 122 homens), Rio de Janeiro (90 contra 48) e Minas Gerais (74 contra 28).
* Salariômetro: Portal criado pelo governo do Estado de São Paulo que calcula a média salarial das pessoas contratadas em todo o país nos últimos seis meses com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED do Ministério do Trabalho e Emprego).